A figura do palhaço é sempre lembrada pelo nariz vermelho e o picadeiro de um circo, mas ela também pode ser vista nos palcos de teatro, hospitais e empresas. A arte do teatro Clown (figura grosseira e boba), que explora piadas e histórias engraçadas, nasceu no século 16.
Interagir e arrancar gargalhadas do público, segundo a atriz e diretora teatral Ana Carla Machado, não é para qualquer pessoa. “Ele precisa ter autoconhecimento, explorar o que tem de mais ridículo, saber as técnicas do trabalho e saber interagir. Muitas vezes, as pessoas acham que é simplesmente colocar a roupa, mas quem faz isso banaliza o trabalho do palhaço.”
Cada pessoa, conforme Ana Carla, desenvolve um palhaço de acordo com a própria personalidade. “As pessoas têm comportamentos e características diferentes por isso cada ator de clown é único. O palhaço é um personagem que entra no palco com o coração, ele emociona e provoca emoções”, disse.
Sem as vestimentas típicas de um palhaço, a atriz colocou o nariz vermelho virada de costas para a reportagem do CORREIO. Segundo ela, esse é um dos cuidados que o ator toma quando incorpora o personagem. “Quando coloco o nariz, a palhaça que existe em mim surge e ficar de costas é uma forma de respeitar o público.”
A estudante de Artes Cênicas Renata Barroso Paixão, 18 anos, admira a arte e a curiosidade a fez procurar cursos para conhecer a história e as técnicas. “É muito interessante, é uma história engraçada sem apelação e criativa”, disse. Renata Paixão é uma das 23 pessoas inscritas na Oficina de Clown, na Oficina Cultural, em Uberlândia.
Experiência
Há 10 anos trabalhando com a arte Clown, o enfermeiro e ator Eslon Bueno Chagas, 35, vulgo palhaço Zilão, disse que o maior presente é o sorriso do público. O palhaço desenvolve trabalhos voluntários em hospitais públicos e revela que, por muitas vezes, se sentiu mais feliz em ajudar do que os que necessitavam de ajuda. “Ver uma criança sorrir em uma maca de um hospital é gratificante para qualquer pessoa”, disse.
O improviso, segundo ele, é um dos segredos para interagir com o público. “O artista clown faz um estudo do ambiente e traz a apresentação para perto do público com as histórias e alegrias.”
Nenhum clown é igual ao outro
Para dar início às atividades da Oficina Cultural em 2010, a atriz Ana Carla Machado oferece, desde ontem, Oficina de Clown para 23 pessoas. As aulas, que acontecem das 14h às 18h, terminam na sexta-feira (26).
A importância do curso, segundo a atriz, está relacionada ao comportamento dele diante o público. “Ele está mais próximo do público, ele faz com que as pessoas esqueçam o mundo fora do teatro ou do circo. Ele precisa saber como fazer isso”, disse. A oficina faz parte das comemorações do Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo, que serão realizadas no próximo sábado.
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